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A Loucura de Ser Enfermeira... Mãe, Mulher, e Humana!!!

A Loucura de Ser Enfermeira... Mãe, Mulher, e Humana!!!

Desabafo de uma mãe que é enfermeira por turnos!!!

Encontrei o texto que postei em Inglês em baixo, por acaso... mas é tão real para mim, que poderia ter sido eu a escrever. 

Ser enfermeira é um orgulho enorme, por aquilo que proporcionamos na vida dos outros. Mas para estarmos(nós enfermeiras que trabalhamos por turnos) tão presentes na vida dos outros, não conseguimos estar tão presentes na vida dos nossos, e sobretudo dos nossos filhos. 

É um sentimento que só quem vive o ser enfermeira por turnos irá entender. Dói, dói muito. Mas temos que parecer fortes, e quanto mais fortes tentamos parecer, também parecemos aos olhos dos outros desinteressadas, más mães... aos olhos dos outros e dos nossos filhos. 

Fui eu que escolhi ser enfermeira, sim. E quando me queixo, oiço muitas vezes isto. Que bom. 

Ser enfermeira por turnos, e nas condições que todos trabalhamos hoje em dia, é completamente desumano. E eu que pensava que tinha escolhido uma profissão humanista. Escolhi. Os outros é que não entendem o que é viver sendo enfermeira por turnos. Não vivem isso, é compreensível. Por isso a enfermagem não é desumanista, apenas é tratada como tal pelos outros. São poucos os que reconhecem, valorizam, e respeitam a nossa profissão, muito poucos. Os governantes e as instituições são os primeiros a tratarem-nos mal, depois vêm a sociedade, os amigos, a familia. Não conhecem, não entendem, não enxergam. Compreendo, porque não vivem a nossa realidade. Engraçado, nós compreendemos o facto de não compreenderem, principalmente aqueles que nos são chegados, e a sociedade porque não tem um sistema de saúde saudável, e quem dá a cara, são os profissionais de saúde. Mas, não se fazem omeletes sem ovos, acho eu. Mas eu compreendo.

Frustrada, cansada, triste, revoltada... todos os dias. Mas adoro ser enfermeira.

Mas também sou mãe. Já me sentia assim, antes de ser mãe, pelas condições que temos para trabalhar e pela falta de respeito. Mas depois de ser mãe custa muito mais. Se me perguntarem, se pudesse ter escolhido outra profissão, se escolheria, a minha resposta é, Claro que sim. Sem qualquer dúvida. Escolheria uma profissão que me respeitassem, enquanto profissional, enquanto pessoa, enquanto mulher, enquanto mãe. E não trabalharia por turnos. Nunca gostei, sinto-me mal, desorganiza-me, mas não tenho escolha. Sempre custou, mas depois de ser mãe, não só custa, como é uma violência. Pelo menos para mim é. Pois gostava de estar mais presente na vida do meu filho, ir levá-lo à escola, ir buscá-lo. Brincar mais vezes com ele, comer com ele. Criar rotinas, que são tão importantes no desenvolvimento de uma criança. Não estar tão cansada tantas vezes, sem a disponibilidade que queria ter. E a verdade é que isto é visível. O pai sempre teve horário normal, e é ele que sempre faz as coisas normais, que deveriam fazer os dois. E, por esse motivo o filho escolhe mais o pai, quer sempre o pai, e está sempre a perguntar se a mãe vai trabalhar. - "Dá-me um beijinho (digo eu para o meu filho), ao qual ele responde: -" a mãe vai trabalhar?". Pois, dar beijinho, muitas vezes é sinal de eu ir embora trabalhar. Dói, doi muito. Não considero que o pai, seja um super pai, apenas é pai, com o papel de cuidar de uma criança. Claro que ser pai sozinho custa, é a casa, é o filho, e é o cão. Mas hoje em dia, quantas mulheres, e homens, mas sobretudo mulheres não são mães solteiras, com todas essas obrigações. A mulher não fica em casa a cuidar dos filhos e da casa apenas. É a realidade dos nossos dias. A mulher também sai para trabalhar. Logo, o papel de pai e mãe, são iguais, e não há super-heróis. Há pais, e mães. É muito cansativo. E eu trabalhando por turnos, e ainda a fazer um curso de especialidade, em que também tenho que estagiar, penso tantas vezes em contratar alguém para as limpezas cá de casa. O problema é que o preço/hora de um serviço desses, é superior ao meu preço/hora no trabalho. Pois, tem mais esse senão. Somos remunerados injustamente, achamos nós enfermeiros, mas só nós mesmo é que achamos. Mas eu escolhi ser enfermeira. 

É tão bom ser enfermeiro. É, muito gratificante por vezes. 

Este ano tive a sorte de não trabalhar no Natal. Fiz apenas noite de 23 para 24, e tive o Natal todo em casa. Quase que não acreditei. Mas claro, que agora tenho que lá passar a passagem de ano. Entro normalmente às 23h e saio às 8h30, no turno da noite. Nestes dias festivos vamos mais cedo para render o colega da tarde, para poder aproveitar um pouco mais a noite de passagem de ano, já que a nossa será lá mesmo. Mas ser enfermeira por turnos, tem destas coisas, e como tem destas coisas, este ano entro as 20h. Infelizmente por infortúnio pessoal de uma colega, que certamente preferia até estar a trabalhar. Mas ser enfermeira é isto. Já não bastava ser má mãe, má mulher, má familiar, má amiga, por não passar a noite com os meus, que também não passo o jantar. Ser enfermeira é isto, mas só quem realmente vive entende, e eu compreendo, mas fui eu que escolhi, eu sei. 

Tantas mães enfermeiras que certamente vivem o mesmo. 

 

Aqui vai o texto: 

 

 Nurse's Children

 

To my beautiful children,

When I first entered onto this path, I knew that it was right. I also knew that there would be sacrifices. For me, for my partner, but also for my children- and you little ones are what I probably failed to consider the most at the age of 18.

Now, I wonder if you ever resent me; if you wish I had a job like the other mums?

Where is the line between what I sacrifice, and what you need to sacrifice in turn? Sacrificing school pick-ups and drop-offs, family dinners, and me cheering from the sideline when you score a goal. That wasn’t your choice.

It breaks my heart to count the times you would have wanted me somewhere- at your concert, at your presentation day, to read you your favourite book before bed. Every day is the most important day of your life, and I am sorry you have had to experience so many of them without me by your side. Trust me when I say I wish I were there, just as much as you wish I was. My memories of those days will only be the stories and tales you share with me; and it pains me to think of the times you would have questioned if my patients mean more to me than you. Never. For the times when you doubt this, I am eternally sorry.

When I am home; I know you wish I didn’t have a job that left me utterly exhausted, emotionally and physically. You are the best part of my day, everyday, and I just wish there was more of me left at the end of a shift to show you this. In the space of a single shift I may have helped other families, other husbands, and other children welcome and farewell loved ones in their lives. I have been a part of so many incredibly special moments, yet know I have missed so many of yours.

The holes in family photos, I know, I should have been there. Sometimes we would do some ‘creative calendar’ work, and move around dates and events to suit our family, but it’s not always the same. You want to open presents at the same time your friends are. I promise that every patient I cared for, I was thinking of you. Days when you were sick and all you wanted was your mum, I would cry on my way to work (and even at work), unable to get my shift covered to stay home and cradle you. My patients needed me, though I know you did too.

You do not know the people that I spend my days with. The other nurses, the doctors, the patients- many of their lives are private. Private because I need to keep my patients medical care confidential, and private because sometimes their stories are too sad to tell. How would you process the death of another child, or of a parent? You have greater empathy than you know and because I am crying behind closed doors, you do not need to feel that pain also. It’s easier to separate ‘work’ and ‘you’ sometimes. My emotional distance is a coping mechanism, and not because I do not want to share with you. Simply, I can’t.

As you grow older, I hope that you can understand why I chose this job. Perhaps you yourself will become a nurse, and realise the power that it holds and the blessings it delivers. I am so incredibly proud of you. Living within a choice I made as a teenager, that you had no alternate but to accommodate me. I want you to know that your sadness is not unseen, and the unconditional love I feel from you, when I know I’m letting you down, is reciprocated from me to you one thousand times stronger.

I could not be prouder of the strength you show, and that my children, are ‘nurse’s children’. I just hope that one day, if not now, you will know fully that my life is you; not my job.

nursing-open-letter

http://thefootnotes.com.au/a-nurses-letter-to-her-children/?utm_content=bufferbc84d&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

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